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01/02/2013Dilma, os juros e a taxa de câmbio

Taxa de juros é um assunto extremamente importante e sensível e quando a presidente Dilma Rousseff fala sobre esse tema, a atenção deve ser redobrada. Ontem, num discurso de 50 minutos no Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas, a presidente disse: "Nós temos um país que teve condições de, dentro da tranquilidade, com sensatez, reduzir a taxa Selic, a taxa de juros. Reduzir a Selic, a taxa de juros da economia brasileira, é um movimento importante. Primeiro porque nós temos condições macroeconômicas para fazer isso e, segundo, porque países com crises muito maiores do que a gente pode sequer imaginar, tem hoje taxas de juros muito pequenas, e taxa de juros menor sempre vai facilitar, com o passar do tempo, tanto a ampliação do investimento quanto a do consumo. Aliás, não há oposição entre uma coisa e outra. É necessário investir, mas também é necessário que as pessoas consumam".

Pela forma, pareceu que ela estava anunciando novas reduções da taxa Selic. A assessoria da presidência da República, porém, explicou que Dilma referiu-se aos cortes já feitos - a redução de 525 pontos base desde agosto de 2011.

As condições macroeconômicas atuais, aliás, não permitem mais queda da taxa Selic, hoje de 7,25% ao ano. A inflação está pressionada, deve bater no teto da meta nos próximos meses, e as expectativas do Banco Central são de desaceleração do IPCA só no segundo semestre quando, segundo o presidente do BC, Alexandre Tombini, a taxa de inflação convergiria para a meta de 4,5%. As projeções do mercado, porém, não sancionam essa convergência e apontam uma variação do IPCA de 5,67 % para 2013 e de 5,50% para 2014 . 

O BC, depois de avisar pela ata do Copom que não pretende mexer nos juros - nem para baixo nem para cima -  dá sinais de que usará a taxa de câmbio para conter a inflação. Valorizar o real seria a válvula de escape para baratear os bens importados para consumo e para investimentos. Mas não está claro que este seja um movimento sustentável. Com a recuperação, ainda que modesta, da economia americana, os fluxos de capitais já não privilegiam as economias emergentes e o Brasil, em particular, não desperta hoje  o mesmo apetite do investidor estrangeiro que há dois ou três anos.

O governo até pode desmontar as medidas de restrição à entrada de moeda estrangeira. Mas não é líquido e certo que isso incentive a entrada de recursos e valorize o real frente ao dólar. No discurso de ontem a presidente garantiu que este ano será bom para o país. Mas o que ocorreu nas primeiras semanas do ano foi deterioração das expectativas tanto de crescimento econômico quanto de inflação.

Fonte: Valor Econômico

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